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Marcelo
Daldegan:

O escritor que colocou Belo Horizonte entre a lógica e o que ela não alcança.

Advogado de formação, leitor desde cedo por herança de uma madrinha que lhe entregou o primeiro livro. Estreia na ficção com um romance policial que começa dentro da razão e termina no ponto exato em que ela para de funcionar.

Retrato em preto e branco do escritor Marcelo Daldegan
Capa do livro Entre Montanhas e Sombras

Entre Montanhas e Sombras

Marcelo Daldegan Livro 1 da série John Cocker Edição digital · 2026

Belo Horizonte, chuva forte, uma curva da Avenida Raja Gabaglia. Aos quinze anos, John Cocker perde a mãe no acidente e perde também a visão do olho esquerdo. Um ano depois, o pai desaparece sem deixar carta nem pista.

Anos mais tarde, já formado em Direito e trabalhando na polícia, John atravessa mais uma madrugada de plantão quando o olho cego volta a enxergar. Não o mundo. O que existe atrás dele.

A partir daí, nenhum caso volta a ter uma explicação só. Uma jaqueta preta que ninguém consegue localizar, uma mulher que não precisa mais de portas para entrar, um guia chamado Ives que só ele enxerga, e a Serra do Curral ao fundo, sempre presente, sempre olhando de volta.

Entre Montanhas e Sombras é o primeiro livro da série John Cocker. Um romance policial que começa dentro da lógica e termina exatamente onde ela para de funcionar.

Por que nada nos livros dele é exatamente o que parece?

Para entrar em Entre Montanhas e Sombras é preciso aprender a ler nas entrelinhas e reconhecer os sinais que se repetem:

  • A Serra do Curral: Não é cenário. É presença. Quem olha por tempo demais sente que está sendo observado de volta.
  • O olho esquerdo: O olho que cegou aos quinze anos é o que passa a enxergar. Ver deixa de ser sinônimo de entender.
  • Ives: O guia que só John enxerga. Nunca explica, nunca antecipa, e nunca aparece por acaso.
  • O silêncio dos pais: Uma família que atravessou fronteiras sem nunca dizer do que estava fugindo. O que não é dito pesa mais.
  • Belo Horizonte: A primeira cidade planejada do Brasil, onde quase nada obedece ao plano quando o sol se põe.

“Esta não é uma história sobre aquilo que se mostra com clareza. É sobre aquilo que permanece, mesmo quando ninguém está olhando diretamente para isso.”

Marcelo Daldegan

Contracapa do livro com a sinopse impressa

A história continua, mesmo depois da última linha.

Daldegan
Close em preto e branco no olhar do autor

Você nunca estava apenas lendo.

Estava lembrando de alguma coisa

que ainda não tinha vivido.

E talvez, só talvez, sempre tenha sido sua.

Capítulo 1

Entre Montanhas e Sombras

As montanhas de Belo Horizonte nunca foram apenas paisagem para mim. Desde muito cedo, havia nelas uma sensação que não se encaixava direito, algo que transcendia a imponência da Serra do Curral recortando o horizonte ou o contraste entre o concreto da cidade e o verde que resistia entre os morros. Era uma impressão mais silenciosa, mais persistente. Quando eu olhava por tempo demais, vinha um incômodo estranho, quase físico; não como medo, mas como a sensação de estar diante de algo que não deveria ser observado com tanta insistência.

Eu não pensava sobre isso, mas também nunca deixei de sentir, crescendo sob essa constante e inexplicável vigília. No começo, era apenas um incômodo leve, uma impressão que vinha e ia, como um pensamento malformado que não chega a se concluir. Com o tempo, aquilo deixou de ser ocasional e se tornou constante. Não importava onde eu estivesse; quando meus olhos alcançavam a linha escura da serra ao fundo, eu sentia a mesma coisa: uma presença que eu não sabia nomear e, por isso mesmo, tentava ignorar.

Meu nome é John Cocker e, olhando para trás agora, consigo dizer com uma clareza quase incômoda que a minha história jamais foi algo comum. Não começou como as outras, não seguiu como as outras e, se eu for completamente sincero, talvez jamais tenha me pertencido de fato. Naquela época, contudo, eu ainda não sabia disso. Era apenas um garoto tentando entender o mundo ao seu redor, acreditando, como tantos outros, que a vida tinha uma ordem natural e que as tragédias pertenciam às histórias dos outros.

O capítulo continua no livro. Receber a edição digital

Sobre

O autor

Assinatura de Marcelo Daldegan

Nasci em Minas e cresci cercado de livros por causa de uma pessoa: minha madrinha, Maria Luiza Tavares, que me mostrou cedo que ler é uma forma de liberdade e que nunca é tarde para recomeçar.

Escrevi este romance em madrugadas, entre páginas reescritas e momentos de dúvida. Levei mais tempo tentando entender John Cocker do que inventando o que acontece com ele. Talvez seja isso que faz dele alguém real para mim.

Dedico o que escrevo às minhas filhas, Marcela e Nicole, e a quem aceita atravessar comigo os véus da realidade.

Edição digital

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